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24/02/2006 10:58
Brasil cresce só 2,3% em 2005 e supera apenas o Haiti na América Latina

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2005, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado mostra desaceleração em relação a 2004, quando o PIB (Produto Interno Bruto), soma dos bens e serviços produzidos no país, havia registrado expansão de 4,9%. Apenas no quarto trimestre, a economia cresceu 0,8% sobre o terceiro.

Com base nas previsões da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), verifica-se que a expansão da economia brasileira ficou aquém da média da América Latina. O órgão previa crescimento de 4,3% para a região. Em termos percentuais, o Brasil teve o segundo menor crescimento da América Latina, à frente apenas da previsão para o Haiti. Os países que já divulgaram resultados --como Argentina (9,1%), Venezuela (9,0%) e México (3,0%)-- confirmaram os prognósticos da Cepal, que previa para o Brasil uma alta de 2,5%.

O resultado do PIB em 2005 ficou abaixo, inclusive, da última estimativa feita pelo Banco Central, que era de expansão de 2,6% na economia brasileira. Segundo o IBGE, o resultado ficou próximo à média de crescimento dos últimos 10 anos, de 2,2%.

Para Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimento, o Brasil não conseguiu tirar proveito da conjuntura econômica global favorável devido aos juros altos e à crise política. "O ano de 2005 foi de frustração em relação ao crescimento. Houve uma resistência maior da inflação que forçou o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa. Houve também uma crise de confiança de consumidores e empresários em razão do cenário político. O conjunto de todos esses fatores determinou um grau de crescimento cerca de 1 ponto percentual menor do que se previa anteriormente."

Apesar da desaceleração no terceiro trimestre, a indústria desponta como o principal destaque na análise do PIB sob a ótica da oferta. O PIB industrial cresceu 2,5%. O setor agropecuário teve alta de 0,8%, a menor taxa desde 1997. Já o setor de serviços cresceu 2% no ano passado.

Entre os subsetores da indústria, o destaque ficou para a extrativa mineral, com alta de 10,9%. Em seguida, vieram serviços industriais de utilidade pública, com alta de 3,6%. A indústria de transformação e a construção civil tiveram crescimento de 1,3%.

As maiores altas nos serviços foram em comércio (3,3%), transporte (3,2%) e aluguéis (2,5%). As instituições financeiras registraram alta de 2,4% e a administração pública, de 1,7%.

Segundo Guilherme Maia, economista da consultoria Tendências, o crescimento da economia teria sido superior caso não tivesse ocorrido a desaceleração da indústria no terceiro trimestre, em razão do movimento de acúmulo de estoques. Isso ocorreu porque antes disso houve um descompasso entre o crescimento da produção industrial e a expansão da demanda, o que afetou o ritmo de expansão da economia.

Para Alex Agostini, economista da Austin Ratings, o Brasil apresentou um comportamento contrário ao dos demais países. "O aumento dos juros prejudicou enormemente a economia brasileira, principalmente o setor industrial, com a preocupação exagerada do Banco Central com a inflação", disse. Em 2005, a taxa de juros chegou a alcançar o patamar de 19,75% ao ano e só começou a ser reduzida em setembro.

Crédito

O crédito contribuiu para alavancar o consumo das famílias, que encerrou o ano com crescimento de 3,1%. Este é o segundo ano seguido de crescimento do consumo das famílias. Segundo o IBGE, ele foi favorecido pelo aumento de 5,3% da massa salarial em termos reais e pelo crescimento de 36,7% em termos nominais do saldo de operações de crédito. O consumo do governo cresceu 1,6%.

O aumento da oferta de crédito foi impulsionado pelo crédito consignado em folha e pelo alongamento de prazos no comércio. Segundo Utsumi, a melhora dos níveis de emprego e o crescimento da massa salarial também contribuíram para dar mais confiança aos consumidores para assumir dívidas de médio ou longo prazo.

As exportações de bens e serviço cresceram 11,6% e as importações, 9,5%. O setor externo ainda contribuiu de forma positiva para o crescimento da economia, apesar da taxa de câmbio menos favorável aos exportadores. A expectativa é de que, em 2006, a sustentabilidade do crescimento da economia recaia sobre o mercado doméstico, com a perspectiva de aumento do salário mínimo e de inflação sob controle.

Os investimentos registraram alta de 1,6%, abaixo do patamar de expansão verificado em 2004. A crise de confiança que atingiu empresários e consumidores fez com que muitos projetos fossem engavetados e adiados para 2006, conforme revelam as pesquisas qualitativas já divulgadas neste ano.

PIB per capita

O PIB per capita cresceu 0,8% em 2005. Ele é definido como a divisão do total do PIB pela população residente. Em 2005, a população residente no país cresceu 1,4% e somou 184,2 milhões de habitantes. Em 2004, o PIB per capita havia crescido 3,4%.

A taxa de crescimento do PIB, de 2,3%, foi resultado da elevação de 2,1% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 3,9% nos impostos sobre produtos. A elevação dos impostos reflete o crescimento de 3,4% do ICMS (Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços) e de 3,7% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), além do crescimento de 12,4% no volume de imposto sobre importação.

Quarto trimestre

Após uma queda de 0,9% (dado revisado, antes foi divulgado queda de 1,2%) no terceiro trimestre, que superou as expectativas no terceiro trimestre e contrapôs IBGE e Banco Central, a economia brasileira cresceu 0,8% no quarto trimestre em relação ao período julho-setembro e 1,4% na comparação com o quarto trimestre de 2004.

O principal destaque do quarto trimestre foi a recuperação da indústria, que cresceu 1,4% na comparação com o terceiro trimestre. A agropecuária registrou expansão de 0,8% e os serviços, de 0,7%. Os investimentos cresceram 1,7%, o consumo das famílias, 1,3% e as exportações, 0,7% --as importações caíram 1,3%.

Estimativas da Cepal para América Latina
América Latina 4,3%

Venezuela 9,0% (confirmado 9%)
Argentina 8,6% (confirmado 9,1%)
República Dominicana 7,0%
Uruguai 6,0%
Peru 6,0%
Panamá 6,0%
Chile 6,0%
Colômbia 4,3%
Costa Rica 4,2%
Honduras 4,2%
Nicarágua 4,0%
Bolívia 3,8%
Guatemala 3,2%
Equador 3,0%
Paraguai 3,0%
México 3,0% (confirmado 3%)
Brasil 2,5% (confirmado 2,3%)
El Salvador 2,5%
Haiti 1,5%

Fonte: Austin Rating, com dados da Cepal


enviada por internews






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