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25/02/2006 13:26
Problemas com carros e acidente com Nani Moreira marcam primeiro dia de desfiles em SP
Escola penalizada por infrações, problemas em carros alegóricos, desfile da atual campeã e acidente com exuberante rainha de bateria foram alguns dos acontecimentos que marcaram a primeira noite de desfiles no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. O público, que permaneceu em bom número até as 8h30, testemunhou um Carnaval cheio de surpresas em São Paulo.
Os temas e alegorias levados para a passarela pelas oito agremiações foram do drama ao inusitado, sem deixar de lado a criatividade. A noite da folia começou com a Gaviões da Fiel, que concorre ao título do Grupo Especial por força de liminar da justiça (a questão judicial se prolonga desde julho de 2005).
Com grande contingente (3800 componentes), a Gaviões acabou por se atrasar por um minuto no desfile "Nas Asas da Fascinação", que fazia homenagem aos 100 anos do vôo do 14-Bis, a invenção de Santos Dumont. Os integrantes tiveram de correr para terminar o desfile a tempo, prejudicando a avaliação da escola no quesito evolução.
Além disso, segundo declaração do presidente da Liga, Alexandre Marcelino, a escola vai perder outros dois pontos por merchandising. Pelo regulamento, perderia mais dois, por usar o símbolo do Corinthians. Porém, a atitude se apóia na mesma liminar que permite que a Gaviões participe do Grupo Especial.
Para o segundo desfile da noite, a Rosas de Ouro teve ousadia para tratar de tema delicado: a diáspora africana. O drama da escravização dos negros foi retratado no desfile por pessoas amarradas pelo pescoço, por negros acorrentados e outros chicoteados. "Queremos mostrar a verdadeira história e a crueldade com que os negros sempre foram tratados", explicou o carnavalesco Fábio Borges. Mas nos 15 minutos finais, a escola teve que correr para terminar a tempo.
A Nenê da Vila Matilde, terceira escola da noite, selou o atraso na programação da primeira noite iniciado pela Gaviões. Carro alegórico da escola já tinha causado problemas no trânsito da Marginal Tietê na tarde de quinta-feira. Na avenida, a sorte da tradicional escola foi pior ainda: quatro carros apresentaram problemas.
O abre-alas teve problemas na barra de direção. Vários funcionários da escola tentaram empurrar o lado direito do carro para equilibrá-lo, o que fez o carro andar mais devagar. Depois, outros três carros apresentaram o mesmo problema, inclusive aquele que carregava o maestro Júlio Medaglia ("Ópera Negra").
A seguir, a Acadêmicos da Tatuapé apresentou enredo pouco empolgante. Com o tema do cooperativismo, a agremiação teve problemas para relacionar a letra do samba com algumas alas. "A Espanha e os Eletrodomésticos", por exemplo, parecia não ter relação alguma com o desfile. Sem brio, o destaque da escola foi um carro alegórico que carregava diversas crianças e mulheres grávidas, representando o futuro perfeito.
A noite, que já se encaminhava para o fim, começou a esquentar com o desfile da atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, a Império da Casa Verde. A modelo e dançarina Sheila Mello, acompanhada pelo namorado Alexandre Pires, causou furor já na concentração: tumulto com fotógrafos fez com que vice-diretor da escola agredisse um deles.
Na avenida, a Império apresentou enredo sobre o gado Nelore. O desfile foi luxuoso, com carros alegóricos grandes e com cerca de 4 mil integrantes bem distribuídos por alas de fantasias coloridas e cheias de brilho. A evolução foi intocável, cada setor da escola não deixava espaços vazios no sambódromo, e a apresentação empolgou o público.
Na sequência, e já de manhã, a Camisa Verde e Branco apresentou desfile criativo dentro das limitações da escola e manteve o ânimo do público aceso. Um dos carnavalescos da escola, que inclusive escolheu o tema sobre o sagrado e o profano do vinho, abandonou o barracão ainda em 2005.
O carnavalesco Augusto Oliveira, que assumiu o desfile, trabalhou com orçamento e tempo reduzido (a 15 dias do início do carnaval, metade das alegorias ainda não estava finalizada). Para se ter idéia, Oliveira substituiu ferro por bambu em estado bruto para economizar. "Descobrimos a resistência do vegetal e a sua beleza plástica também", disse.
A Vai-Vai, que no enredo fez homenagem à cidade de São Vicente, "a primeira capital do Brasil", aproveitou a escada das duas escolas anteriores e entrou com garra no Anhembi. Desenvolvendo bem os passos da história, desde o desembarque do português Martim Afonso na praia, passando por índios, colonos, escravos, piratas e jesuítas, a escola da Bela Vista deixou a passarela eufórica, e a arquibancada continuava a cantar o samba-enredo.
A Mocidade Alegre parecia estar com tudo. Com bom enredo e boas alegorias, que recriavam o imaginário e as lendas indígenas sobre a criação do Rio São Francisco, a escola entrou embalada na avenida, mesmo entrando às 7h40 da manhã de sábado, com 50 minutos de atraso. E seu desfile foi perfeito, não fosse incidente ocorrido logo com a rainha da bateria, Nani Moreira.
Durante coreografia, fogo de artifício do chapéu de Nani disparou, mas deu chabu. Ela, sem deixar de fazer a coreografia, tentou se desvencilhar, mas o adereço estava preso em seu cabelo, que pegou fogo. Os bombeiros logo acudiram e, mesmo com o susto e as queimaduras leves, Nani continuou sambando. Atendida poucos minutos depois, ela ainda retornou ao desfile (com o braço enfaixado) para conduzir a bateria. "Voltei porque amo essa escola", bradou.
Só no fim do desfile, Nani se retirou do Anhembi escoltada por membro da Liga SP, chorando e esgotada pelo esforço. Ambulância levou a rainha para pronto-socorro no local.
enviada por internews
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